Coisa mais linda - Nova série Brasileira da Netflix

Honestamente eu sou uma das piores pessoas do mundo para resenhar seriados. Primeiro por que assisto tudo de uma vez e daí acabo esquecendo de muitas coisas, segundo por que meu gosto cinematográfico é bem duvidável e eu nem me envergonho mais disso e terceiro por que é muito difícil expôr opiniões nesse site. (risos)





Assim que comecei a ver os banners e outdoors na rua com as personagens incríveis de Coisa Mais Linda, eu senti que ia me apaixonar, além de, é claro,uma das cenas que viralizaram na internet onde Maria Luiza (Maria Casadevall) e Adélia (Paty de Jesus) discutem sobre privilégios. (relaxem não darei spoiler)

Resumo da série sem spoiler 
A série se passa no final da década de 1960, e retrata quatro mulheres com histórias de vidas diferentes e com questões bem atuais inclusive. As quatro se tornam próximas e partir daí a história tem um desenrolar bem interessante construtivo.

A partir daqui há spoileres

Apesar da série se passar no final da década de 1960, uma das coisas que há torna interessante é que muitas das questões abordadas são extremamente atuais. Mulheres empreendedoras que são diminuídas no mercado de trabalho, homens falando por mulheres, como é o caso da revista em que a personagem Thereza trabalha, violência doméstica, aborto, assédio, racismo. Enfim os temas levantados são tantos que as vezes parece que estamos assistindo uma história contemporânea.

Pontos fortes
Eu realmente amei uma produção brasileira que tenha tido essa sensibilidade de falar, por exemplo, sobre privilégios, sem criar uma noção de que o privilégio é um "ERRO". A gente vive numa sociedade que é desigual, e ser capaz de compreender essas diferenças é extremamente relevante para que a gente possa compreender o porquê certas políticas e práticas não são capazes de beneficiar  todas as pessoas do mundo. Principalmente quando falamos de feminismo, e como Angela Davis já debate de forma bem contundente em seu livro Mulheres, Raça e Classe, enquanto a mulher branca luta pelo direito de trabalhar a mulher negra sempre trabalhou e esta lutando por outras coisas que mulheres brancas não têm que se preocupar.
A série me deixou muito feliz em abordar a bissexualidade, sem invisibiliza-la(porém tenho ressalvas), e também sobre violência doméstica de uma forma bem explícita, sem deixar dúvidas ou romantizar a relação dos dois. A ideia de relacionamento abusivo foi bem exposta sem deixar margem para questionamentos rasos.
O debate sobre o aborto surge, e também achei interessante que tenha levantado esse tema lá na década de 1960, por que é justamente isso que temos que nos lembrar, que mulheres sempre abortaram, independente de ser crime ou não. Inclusive a parte em que Thereza e Lígia falam sobre o procedimento é notável que a série quis realmente mostrar que você não precisa fazer um aborto para compreender o por que muitas mulheres abortam.

Pontos fracos
Apesar de abordar várias temáticas que são contemporâneas, eu senti muita falta de que houvesse algum aprofundamento. Porém, entendo que, por se tratar de um seriado e por haver necessidade de uma certa rotatividade de cenas nem sempre era interessante prolongar algumas questões.
Outro ponto que me incomodou foi o fato de existir MUITAS cenas de mulheres em lingerie e com o corpo de fora. Obvio que não é por puritanismo, é mais por achar desnecessário e por acabar criando alguns esteriótipos de leve, como é o caso de Thereza, personagem de Mel Lisboa que é a bissexual, mas que acaba se relacionando com mulheres fora do relacionamento dela. 
Isso me incomodou, por que a série realmente tenta construir ali em Thereza uma mulher que vive um relacionamento desconstruído e o próprio marido dela também se demonstra bissexual, porém, o que me deixou realmente chateada, foi ela não ter contado para o marido que o traiu, enfim, aí sim talvez eu esteja sendo moralista. (risos)


Concluindo
Coisa mais linda é uma série ótima para quem quer começar a refletir sobre diversas dinâmicas e pautas sobre o feminismo, e certamente aborda de forma bem bonita a ideia de sororidade e isso foi suficiente para mim.

A série está na Netflix e eu a assisti em 1 dia sim! kkkk e pode ser que eu tenha deixado algo passar. 
Se você também assistiu e quer falar algo, comenta aqui para mim.

beijos.


Amanda

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